Consumo de bebidas alcoólicas por estudantes universitários e suas consequências

Neste post traremos dados reais que corroboram para evidenciar a projeção que o consumo   alcoólico entre estudantes universitários pode ocasionar.

 

O tema Consumo alcoólico nas instituições educacionais de ensino superior o qual abordaremos trás  total relevância para a sociedade e  de certo modo fará com que a reflexão e preocupação seja vista de forma central e unilateral.

Sabemos que este assunto acarreta grande impacto na vida pessoal e profissional dos futuros profissionais e como este hábito quando feito de forma avulsa e desacerbada.

 

A partir do século XX, Segundo alguns estudos e segundo a linha de pensamento de alguns autores pode ser notado que o consumo de bebidas etílicas como cerveja e vinhos, tornou-se comum em todo o mundo, devido ao fenômeno da produção em escala industrial, Assim, cerveja e vinho passam a estar inclusas na dieta das pessoas com frequência diária, principalmente no continente europeu.

 

O consumo de Bebida alcoólica quando feito de maneira não abusiva, é considerado um comportamento normal na grande maioria dos países (Abreu et al., 2001).

 

Outro aspecto importante (Pechansky, Szobot, & Scivoletto, 2004) é que o uso de álcool está associado à morte violenta, queda no desempenho escolar, dificuldades de aprendizado, prejuízo das habilidades cognitivo-comportamentais e emocionais, modificações neuroquímicas com prejuízos na memória, aprendizado e controle dos impulsos, além de outros prejuízos sociais.

 

Para discorrer sobre os prejuízos que podem ser atribuídos à bebida, uma pesquisa global realizada pela World Health Organization [WHO] (2011) mostra o uso abusivo do álcool como um dos principais riscos à saúde das pessoas em todo o mundo. Ele contribui como um fator causal em mais de 60 tipos de doenças e lesões, o que elevou o número de mortes atribuíveis ao consumo de álcool a 2,25 milhões em 2004. Conforme constatado pela pesquisa, 4% de todas as mortes ocorridas no mundo, no ano de 2004, estão, de certa forma, atribuíveis ao álcool. Ainda segundo a WHO (2011) o uso abusivo de álcool também demonstrou ser particularmente fatal no grupo de homens jovens com idade entre 15 e 59 anos.

 

Neste sentido, Segatto, Silva, Laranjeira e Pinsky (2008), em estudo realizado em um pronto socorro, encontraram uso problemático do álcool em 36,2% dos pacientes, detectando presença de consumo em vítimas de atropelamentos (60%), em acidentes gerais como agressões, quedas e afogamentos (44%) e 40% em acidentes de trânsito.

 

 

Principais problemas que podem ser atribuídos à bebida:

  • riscos à saúde (mais de 60 tipos de doenças e lesões)
  • acidentes gerais
  • violência no trânsito
  • afogamentos

 

 

Levantamento realizado em 2007 pela Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), que buscou avaliar o consumo de álcool entre a população brasileira, apontou que o uso regular de bebidas alcoólicas pelos adultos jovens se inicia aos 17,3 anos.

 

Outro estudo, realizado em uma universidade pública do estado de São Paulo com estudantes de todos os cursos de graduação (Wagner & Andrade, (2008) apontou que houve um salto no consumo de 88,5%, para 91,9% em um intervalo de apenas cinco anos (1996/2001).

 

Na busca para entender este aumento do consumo entre a população universitária, os estudos de Peuker, Fogaça, & Bizarro, (2006) contribuem para a compreensão de fatores que possam aumentar o consumo de tais substâncias, afirmando que há décadas é possível observar diferentes fenômenos que justifiquem um alto consumo entre universitários como facilitação das interações sociais, aplacamento das emoções negativas, efeitos positivos no humor e na avaliação de si mesmo. Os autores ainda reforçam que a vida universitária pode ser um período crítico na vida do sujeito, elevando a vulnerabilidade e dando início ao início do uso álcool ou a sua manutenção.

 

Pesquisas têm apontado um aumento do consumo, em alguns casos atingindo o nível do “beber problemático”, também conhecido como “Binge Drinking” (o consumo de cinco ou mais doses em um período de pelo menos uma vez nas últimas duas semanas para homens ou quatro ou mais doses no mesmo período para mulheres). Uma dose alcoólica é equivalente a uma lata de 350 ml de cerveja, um pequeno copo (120-150 ml) de vinho ou uma dose (30 ml-50 ml) de destilado (cachaça ou whisky, por exemplo).

 

A respeito do consumo excessivo, Souza et al. (1999) estudaram a relação entre o consumo de álcool por estudantes de medicina de uma universidade pública do estado do Ceará e prejuízos no desempenho acadêmico. Os dados encontrados apontam o crescimento do uso sendo que, em um período de 30 dias, foi possível detectar aumento de 57,7% para 80,3%. Nesta mesma amostra, 31,5% dos respondentes declararam ter tido problemas decorrentes do consumo, como comportamentos prejudicais em relação às aulas (falta de atenção, sono, atrasos, ausência ou saídas das aulas antes do horário de encerramento, reclamações ou dormir no decorrer das aulas) ocorridos ao menos uma vez durante as atividades acadêmicas.

 

Wagner e Andrade (2008) apontam para um dado preocupante. Segundo os autores, o consumo abusivo de álcool pelos estudantes de nível superior se relaciona diretamente à diminuição da expectativa de vida dessa população, estando este consumo diretamente ligado a comportamentos de risco.

 

Em um levantamento realizado em uma universidade pública da região norte do Brasil que envolveu 521 estudantes, apontou que grande parte dos estudantes (87,7%) consome ou já consumiu bebidas alcoólicas na vida e o consumo abusivo foi relatado por 12,4% dos entrevistados, sendo que, desses, 47,8% haviam ingerido bebidas alcoólicas até atingir o estado de embriaguez em algum momento da vida, 6,1% o haviam feito em um período de 1 a 5 dias no último mês, 4%, de 6 a 19 dias e 2,9%, de 20 dias ou mais.

Conclui-se que a questão do uso de álcool poderia ser trabalhada através de um programa de prevenção dirigido para a população universitária. Pode-se apreender, ainda, que o consumo de bebidas pelos universitários tem aumentado quando comparados a resultados encontrados na literatura, principalmente, relativos à última década, o que parece indicar a necessidade de projetos preventivos que minimizem possíveis prejuízos a esta população, dadas as condições reconhecidamente vulneráveis a que está exposta.

 

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Publicado por OLIVEIRA, I. W. M. ; FARINHA, M. G. ; GOMIDE JUNIOR, S.
Nome original da obra: Uso de álcool, tabaco e outras drogas entre estudantes universitários brasileiros