O USO ABUSIVO DE DROGAS ACARRETA DANOS CRÔNICOS À SAÚDE E AOS RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS

Os traumas que está prática pode causar e como evitar tais consequências

O uso abusivo de drogas pode gerar sérias consequências a saúde do usuário, causando diversas alterações nas estruturas de seu organismo, como doenças cardiovasculares, respiratórias, problemas no fígado, no cérebro e transtornos psiquiátricos como a depressão ou ansiedade entre muitos outros. Tal comportamento, ao apresentar sintomas recorrentes e específicos, pode levar a pessoa a desenvolver transtornos por abuso de substâncias psicoativas.

 

Nesse sentido, o tratamento da dependência de substâncias psicoativas não deve se restringir à abstinência, mas deve ser centrado na reabilitação psicossocial do sujeito com a oferta de atendimento aos cuidadores desses indivíduos. Para tanto, a atenção à saúde mental é alicerçada no constructo de desinstitucionalização e modelo psicossocial e requer profissionais capazes de acessar as necessidades dos usuários que buscam o cuidado para a concretização de um tratamento holístico.

 

Tendo como base este contexto, o modelo de atenção psicossocial proposto pela Reforma Psiquiátrica Brasileira é resultado de um processo histórico de disputa de concepções epistemológicas e simbólicas sobre a loucura e o adoecimento mental, que influenciaram os modelos assistenciais e as práticas de cuidado, tendo a desconstrução do modelo manicomial como premissa. O processo de desinstitucionalização vai muito além da substituição do cuidado hospitalocêntrico por serviços de base comunitária e territorial, envolve o conceito ampliado de saúde e integralidade, nega a violenta prática do encarceramento, busca a inclusão social e a promoção da cidadania e reconhece as pessoas como singulares.

Para evitar o encarceramento e garantir a livre circulação das pessoas com problemas mentais pelos serviços, pela comunidade e pela cidade, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) foi proposta. É composta por serviços e por métodos opostos e substitutivos ao paradigma manicomial imprescindíveis para provocar processos emancipatórios e desencadeadores de potências de vida. Dentre os serviços que compõem a RAPS, destacam-se os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que são comunitários e de base territorial para o atendimento de casos complexos de adoecimento mental e/ou uso abusivo de álcool e outras drogas, por meio de Projetos Terapêuticos Singulares (PTS).

 

Por isso, a modalidade de CAPS é responsável pelo direcionamento à assistência exclusiva para os usuários abusivos de drogas e o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad) oferta inúmeras estratégias de cuidado, incluindo atendimentos grupais. Assim, uma importante ferramenta de acolhimento e de tratamento é a experiência de escuta, a qual pode ser individual ou grupal. Dentre todas as estratégias de cuidado disponibilizadas pelos CAPS, as práticas grupais são as de interesse desta investigação por seu evidente potencial terapêutico.

 

Intervenções

Efetivamente, as intervenções terapêuticas grupais são estratégias de cuidado em destaque no campo da atenção psicossocial, voltada para o acompanhamento de pessoas e para a assistência direta aos usuários que apresentam prejuízos relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas. Do mesmo modo, para os familiares desses sujeitos, que passam por um processo de sofrimento e adoecimento mental devido às repercussões deste envolvimento com drogas.

 

Nessa perspectiva, a utilização do grupo como ferramenta de cuidado teve início no século XX e, com o decorrer do tempo, pesquisas no campo da dinâmica grupal têm contribuído com a socialização dos seus benefícios na área da saúde. Assim, a tecnologia grupal pode ser compreendida como a união de fundamentação teórica, metodológica e tecnológica utilizada em diversos cenários da atenção à saúde, educação e investigação científica.

Além disso, a caraterística de um grupo é definida pela união de duas ou mais pessoas que interagem para o alcance de objetivos em comum, mediados pela realização de uma tarefa, e, deste processo interativo, podem emergir diversos fenômenos. Dessa forma, nos grupos terapêuticos no cenário da saúde mental, os relacionamentos entre os seus integrantes são construídos por meio de momentos de escuta, socialização de experiências de vida, reflexão e empatia. Portanto, a intervenção grupal é uma potente modalidade de cuidado que pode ser utilizada no tratamento de pessoas com transtornos mentais.

 

Nos CAPS, as intervenções grupais podem proporcionar fluidez nos processos de trabalho e estimular ações multiprofissionais coletivas10, que favorecem, aos usuários dos dispositivos de saúde, a exploração e o trabalho de sentimentos, desenvolvem processos criativos de enfrentamento de problemas e proporcionam tranquilidade e relaxamento. Nesses serviços, há uma diversidade de atividades e de processos grupais, porém, ainda pouco estudados na perspectiva terapêutica.

 

Portanto, esta investigação justifica-se diante do cenário controverso de saúde mental no Brasil, com a retomada persistente da ideia da supervalorização de práticas tradicionais de diagnóstico e tratamento medicamentoso, em detrimento das outras formas de cuidado, que valorizam a escuta e a palavra, a educação em saúde, o apoio psicossocial e o vínculo. E, ainda, pela necessidade de investimentos em projetos, serviços e ações que promovam e superem os desafios do modelo psicossocial, o cuidado em liberdade das pessoas com sofrimento psíquico grave e transtornos relacionados ao uso problemático de drogas.

 

Orientações

Nessa direção, é importante a implementação de pesquisas científicas que tratem da sistematização da assistência à saúde mental dos usuários assistidos nos CAPS, para a contribuição e reflexões para o fortalecimento da RAPS no cenário brasileiro, pois, apesar de o grupo ser uma ferramenta de cuidado que proporciona o protagonismo do usuário durante o processo assistencial em saúde mental, ainda há uma escassez de orientações para a operacionalização do trabalho com grupos de forma assertiva pelas equipes de assistência à saúde dos CAPS nos documentos oficiais, o que compromete a avaliação dos benefícios dessa modalidade de atendimento no cenário da atenção psicossocial.

 

Por essa motivação, são imperiosas a realização e a divulgação de estudos que tratam dos benefícios, da aplicação e assertividade da assistência terapêutica ofertada pelas equipes dos CAPS. Entende-se que as evidências científicas a respeito do exercício de práticas qualificadas, como é o caso de intervenções grupais em CAPS, são ferramentas poderosas para responder aos ataques infundados a despeito da ineficiência do cuidado ofertado por esses serviços. Ao partir deste cenário, o objetivo deste estudo foi analisar as potencialidades das intervenções grupais em Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas na perspectiva dos profissionais.

 

 

 

Lembrando que este processo de conscientização precisa seguir alguns preceito que abordam características individuais e também sociais desse modo separamos 4 dicas simples que poderão auxiliar no processo de não introdução no mundas drogas e dependência química.

 

Dicas de prevenção às drogas

  • Saiba dizer “não”
  • Escolha bem suas companhias
  • Conte com sua família e participe de grupos de apoio
  • Pratique esportes

 

 

Publicado por Johnatan Martins Sousa, Marciana Gonçalves Farinha, Nathália dos Santos, Silva Camila Cardoso Caixeta, Roselma Lucchese e Elizabeth Esperidião

 

Nome original da obra: Potencialidades das intervenções grupais em Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas